Arine Goes – Artigo:A Cultura Participativa e o Crowdfunding: um estudo sobre a influência dos fãs no financiamento de projetos.

Spread the love

Resenha Crítica do Texto: PALOMINO, Paula Toledo. A Cultura Participativa e o Crowdfunding: um estudo sobre a influência dos fãs no financiamento de projetos.

Este artigo objetiva intender mais sobre “A Cultura Participativa e o Crowdfunding: um estudo sobre a influência dos fãs no financiamento de projetos”, sob a ótica de teorias como a cultura participativa de Jenkins, a teoria do ator-rede de Latour e a Comunicação ubíqua de Santaela.

O termo Crowdfunding ou financiamento coletivo, é creditado a Michael Sullivan com a tentativa de criar uma incubadora para projetos com uma simples funcionalidade de financiamento. Seu conceito baseava-se em reciprocidade, transparência, interesses compartilhados e no financiamento pela multidão. Segundo Jenkins, o público vê a Internet como um veículo para ações coletivas, sejam elas a solução do problema, deliberação pública ou criatividade alternativa. A Internet no seu caráter interativo é uma mudança no paradigma de como as pessoas se relacionam como os meios de comunicação.

A Teoria Ator-Rede (TAR) cuja origem se deu-se na área de estudos de ciências, tecnologia e sociedade, na década de 1980. A TAR é utilizada para explicar novos paradigmas da comunicação que passam a existir com a cultura contemporânea. O ator é definido a partir do papel que desempenha, ou seja, o quão ativo e repercussivo é, e quanto efeito produz na sua rede. Dessa forma, pode-se considerar que pessoas, animais, coisas, objetos e instituições podem ser um ator. São baseados em dois conceitos, tradução e rede, e dois princípios, imparcialidade e simetria. O TAR fala que a ideia de que os atores, humanos e não humanos, estão constantemente ligados a uma rede de elementos e materiais e não materiais.

Segundo Santaela, a comunicação ubíqua não é um termo dissipado, porém está muito presente no nosso dia a dia. Fala na sua obra: “ Comunicação ubíqua – Repercussões na cultura e na educação”. Quando falamos com alguém ou acessamos informações de qualquer lugar para outro, é o momento em que conectamos. A autora defende que as informações dos mais diferentes tipos podem, hoje, ser acessadas de múltiplos pontos no espaço. Essas mesmas mídias que fornecem o acesso são mídias de comunicação. Com base na teoria de Santaela, podemos dizer que a internet é onipresente no cotidiano das pessoas e a comunicação em si ubíqua, principalmente nas redes sociais.

O uso das segundas telas e das plataformas sociais como ferramentas ampliadoras dos processos de expressão estão intimamente ligados ao Crowdfunding, visto que o poder deste processo está justamente na força da cultura participativa, utilizada em tempo real. A comunicação ubíqua é portanto, a grande responsável por propagar a disseminação da informação em tempo real entre a comunidade envolvida, a fim de tornar o processo do financiamento coletivo um sucesso.

De acordo com a Daniela Castrataro, ao se considerar os conceitos de WEB e multidão como elementos essenciais na definição do Crowdfunding com uma atividade, no final dos anos 90, começa a campanhas na Internet para financiar projetos. Grupo Britânico de Rock Marillion conseguiu levantar $60,000 no ano de 1997 ao financiar a campanha “ TOUR FUND”. Em 2006 tivemos Sellaband, buscando fãs que investiam nas músicas, para levantar fundos para gravar um álbum. Algumas organizações ao ver o potencial da Web fizeram um site, cujo o objetivo era levantar um financiamento para projetos de caridade. A primeira plataforma a permitir que empresários emprestassem dinheiro a áreas de desenvolvimento foi a Kiva.

Como estudo de caso desta pesquisa, analisou-se o fenômeno que vem ocorrendo desde o início desta década, como negócio podemos citar os Livros de RPG e os jogos de tabuleiro. Na década de 90, os livros estavam no auge, mas caíram em esquecimento nos anos 2000, onde os jogos eletrônicos tiveram um crescimento de mercado, fazendo com que várias editorias deste gênero abrissem falência ou comprados por produtoras de games.

A editora White Wolf veio com uma nova proposta de editora para continuar a publicação mesmo sabendo que seu público alvo estava bastante restrito. Eles voltaram então para o Crowdfunding, colocando através do Kickstarter, o título do financiamento coletivo, e deixar nas mãos dos fãs a decisão se aquela obra irá continuar ou não. O resultado foi surpreendente, demostrou que não só apenas a base de fãs, que continuava muito ativa e com poder de aquisição, disposto de assumir alguns riscos de manter vivo aqueles produtos, mas também em contribuir com opiniões e participações nos processos de design do produto.

Com o intuito de compartilhar o processo de design com os fãs, inicia-se com uma meta mínima para que o produto aconteça, colocando outras metas secundárias, que se atendidas, acrescentam valor e personalização ao produto. A plataforma do Kickstarter, permiti que qualquer pessoa poste algo criativo e consiga contribuições até de grandes empresas. Esta análise é, no entanto, intrínseca do momento em que vivemos, pois, a cultura participativa domina nosso cotidiano, e ainda não se há consenso sobre questões autorais e legais no que tange à internet.

O Crowdfundig é uma prática realizada, tipicamente, pela internet, com o intuito de financiar um projeto por meio do levantamento de pequenas quantias de dinheiro junto a um grande número de pessoas. Assim, vem sendo visto como um modelo de negócio extraordinário, onde cidadãos comuns podem investir e utilizar as mídias sociais como forma de pregão. Contudo, como todo processo, precisa de demanda e definições para que seja válido

O artigo mostra por meio de estudo de caso, que o Crowdfundig não se trata somente de investir dinheiro em um projeto, mas sim de colaboração para que o projeto obtenha sucesso em todos os processos. Sendo ele um responsável por uma grande mudança na esfera de investimento. Conforme Santaela, a internet é onipotente no cotidiano das pessoas, tornando a comunicação em si ubíqua, é portanto a grande responsável por propagar a disseminação da informação em tempo real, a fim de tornar o processo do financiamento coletivo um sucesso.

SANTAELA, Lucia. Comunicação Ubíqua: Repercussões na cultura e na educação.Paulus Editora, 2013.

JENKINS, Henry. Convergence Culture: Where Old and New Media Collide. NYU Press, 2008.

LATOUR, Bruno. Networks, Societies, Spheres – Reflections of an Actor-NetworkTheorist – Keynote Lecture, Annenberg School of Design. International Journal of Communication Vol 5, 2011, pp. 796-810.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *