Rebeca Descarpontriez – A nostalgia na sociedade contemporânea

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As ponderações do texto foram inspiradas no artigo “A nostalgia da sociedade contemporânea”, que despertaram questionamentos sobre a sociedade, onde, ao mesmo tempo em que a tecnologia tem avançado, o passado se mostra ainda muito presente. Após o surgimento de tantos aparelhos tecnológicos, “vivemos em uma sociedade que não é feita para durar”.

Antes de entrar no tema central, o artigo nos dá uma perspectiva maior da “sociedade em rede” na qual vivemos. De acordo com Castells, “a tecnologia é a sociedade, e a sociedade não pode ser entendida ou representada sem suas ferramentas tecnológicas” (CASTELLS, 1999, p. 43).  O que o autor quis dizer é que, os momentos históricos da sociedade, foram e serão marcados pela tecnologia da época. E esse meio também será modificado pelo meio seguinte, e assim sucessivamente.

O texto ainda afirma que, “as formas de comunicar-se vem sofrendo alterações constantes desde o surgimento da internet”. Muitos de nós, acompanhamos o rádio sendo influenciado pela televisão e a televisão sendo influenciada pele crescimento da internet. Mas, o texto deixa claro que os meios mais antigos não vão desaparecer, apenas surge a necessidade de adaptação de suas funcionalidades.

Por exemplo, antes da popularização do meio televisivo, era papel fundamental do rádio informar à população dos eventos cotidianos em tempo real (ou, pelo menos, alguns minutos ou horas depois do acontecido), além do entretenimento.

Após o surgimento da televisão, que fazia basicamente o mesmo que o rádio, só que com apoio de imagens, o papel do rádio dentro da casa das pessoas foi mudando e se adaptando às novas circunstâncias. Nas salas de estar, o rádio foi substituído pela televisão, e ele foi deslocado para o carro, lugar onde não existe a possibilidade de se assistir televisão. O fato é que:

O surgimento de um novo sistema eletrônico de comunicação caracterizado pelo seu alcance global, integração de todos os meios de comunicação e interatividade potencial está mudando e mudará para sempre nossa cultura. (CASTELLS, 1999, p. 414)

E, assim, entramos no termo “modernidade líquida”. Segundo os autores, o que destaca na sociedade contemporânea é o fato de sermos hoje, conscientes de nosso vício em modernização. Se antes queríamos satisfação, um final para a história, hoje somos conscientes que este final nunca será plenamente atingido.

As redes sociais são um exemplo dessa liquidez. Ao publicarmos algo em uma dessas redes, a publicação só fica em destaque durante alguns minutos, tempo em que outras pessoas ou até nós mesmos continuamos alimentando a rede e, assim, deixando a publicação em questão para trás.

Com isso, surge o questionamento: Por que estamos atrás desse consumo, se sabemos que ele não terá um fim? De acordo com Bauman, seria para satisfazer o prazer do nosso consciente, em saber que estamos nessa corrida apenas por novidades e modernizações.

Com a rapidez no ambiente de consumo, nos deparamos com a nostalgia, onde o passado é valorizado por ser, tomando como base o conceito de Bauman, mais “sólido” que o presente e o futuro. Então, o mercado aderiu à estética da nostalgia para dar maior valor aos seus produtos, principalmente pelo design.

No texto, a nostalgia divide-se em duas manifestações distintas: Vintage e Retrô. A primeira diz respeito à tudo aquilo que foi pertencente a outras décadas, geralmente relacionadas aos nossos avós e bisavós: são os carros antigos, a reprise de novelas (como no famoso “Vale a pena ver de novo”, exibido pela Rede Globo).

A segunda é referente a peças novas produzidas com um estilo antigo, um relançamento. Alguns exemplos clássicos que adotaram esta abordagem retrô foram as marcas como Brastemp, Toddy, Leite Condensado Moça, Coca-Cola, entre outras.

Os consumidores não querem um rádio com design da década de 1950 e com a qualidade de som daquela época. As marcas retrô devem combinar o design de outro período do passado com inovação na funcionalidade, desta forma criando uma harmonia que une a contemporaneidade ao passado. (HERNANDEZ, 2001, p. 31).

Apesar de sempre buscarmos por inovações e novas experiências, sentimos falta da conexão do passado, onde as relações eram mais reais e menos virtuais. O texto afirma que as nossas ligações estão enfraquecidas e cada vez mais líquidas e durando por pouco tempo.

A velocidade da informação e o pouco contato físico no plano real gera angústia, porque hoje quase nada é feito para durar e criar raízes, por isso, a nossa constante busca ao passado é tão evidente.

Artigo analisado: A nostalgia na sociedade contemporânea, de Eduardo Leite Vasconcelos, Igor Raphael Gouveia Queiroz e Janayna da Silva Ávila. Disponível em: <http://www.portcom.intercom.org.br/>.

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