Thalita Rodrigues – Resenha de ‘10 coisas que o Facebook já estudou sobre você’

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Em seu livro Cypherpunks: liberdade e o futuro da internet, Julian Assange (2013, p. 146) comenta que o Facebook tem “800 MB de informações” sobre a vida de qualquer usuário. Parece ser exagerado, mas, de alguma forma, a rede de Mark Zuckerberg utiliza bancos de dados de seus usuários para se desenvolver cada vez mais (como será visto abaixo). Segundo Jérémie Zimmermann, um dos coautores de Cypherpunks, “com o Facebook, dá para ver o comportamento dos usuários, que ficam felizes em divulgar qualquer tipo de dado pessoal” (ASSANGE et al., 2013, p. 72).

No texto 10 coisas que o Facebook já estudou sobre você, de Pedro Meirelles, é possível ter a dimensão da utilização dos dados disponibilizados na rede de Zuckerberg e para o que eles servem. Mas, de acordo com Meirelles, este estudo é uma tendência da empresa em produzir conhecimento acadêmico e científico, já que mantém os dados dos usuários “a sete chaves” e nada os impede de vender “para quem pagar mais”. Como diz Andy Müller-Maghun (ASSANGE et al, 2013, p. 107), “a privacidade é possível, mas tem seu custo”.

É possível saber quantos passos médios de separação há entre você e qualquer pessoa, em um cálculo que mede a distância entre os usuários da plataforma; também, como as bolhas políticas funcionam, determinadas pelo próprio engajamento dos usuários, que tendem a interagir com “conteúdo contrario às suas visões quando apresentados a informações sociais”.

No texto escrito por Meirelles existem coisas um pouco surpreendentes, como a morte de alguém deixa seus amigos mais próximos e como manipular o seu humor e sentimentos. No primeiro caso, segundo Meirelles, em consequência à morte de um usuário, sua rede de amigos se aproxima em interações. Já no último, os usuários da plataforma social de Zuckerberg ao se depararem com menos postagens negativas, os internautas compartilhavam mensagens ou conteúdo positivo.

Facebook também, de acordo com Meirelles, identificou as diferenças entre homens e mulheres nas postagens em assuntos como política, religião etc. Por um gráfico é possível enxergar que a linha da interação feminina é mais sólida (com pouca variação) que a do homens (com alguns picos). Assim, como a qualidade do debate na era dos comentários da esfera pública, onde usuários desconhecidos promovem um debate com “abordagens mais qualificadas”.

É possível também mensurar como o uso positivo das mídias sociais diminui comportamentos de risco, pois quanto mais solitário, mais possibilidades de “desenvolver problemas de saúde”. Para isso, o Facebook cruzou dados de 12 milhões de perfis com registros do Departamento de Saúde Pública da Califórnia.

Constata-se, também, com esse estudo, que conectar-se com amigos próximos melhor o bem estarcomo os laços fracos ajudam – ou não – a encontrar emprego no mundocomo relacionamentos podem ser identificados na estrutura das redes. Como o próprio Pedro Meirelles diz, é uma maneira de o Facebook compreender “algumas questões relevantes do mundo atual”.

Referências

ASSANGE, Julian et al. Cypherpunks: liberdade e o futuro da internet. Tradução de Cristina Yamagami. Boitempo Editorial: São Paulo, 2013.

Disponível em: <http://www.ibpad.com.br/blog/comunicacao-digital/10-coisas-que-o-facebook-ja-estudou-sobre-voce-a-nona-e-assustadora> Acesso em: 25 out. 2017.

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